Texto A Princesa Rã

 A Princesa Rã

A fada recusou-se a se casar com o feiticeiro. Escapou batendo as asas do bosque encantado onde morava com outras fadas. Não poderia usar a magia fora dali, ou o feiticeiro a acharia. A tia avisou ao feiticeiro que ela havia mudado de ideia. Ele marcou o casamento para o outro dia. Enquanto a esperava na grande festa que preparou, ela fugiu transformada em rã.

Ele jurou que ia persegui-la até o fim do mundo.

Em um reino, um rei viúvo preocupado com a sucessão chamou os três filhos e queria vê-los casados. Sentia-se incompleto pelo fato da esposa ter morrido. Sentia que a rainha o ajudava a governar, que ela o servia.

Escolheria seu herdeiro depois que os filhos estivessem casados. Eles teriam três dias para encontrar suas mulheres. Quem não conseguisse não teria direito a nada. No final do prazo, o filho mais velho apresentou ao pai a filha do rico mercador; o filho do meio, a filha do conde ainda mais rico. O Caçula, que fizera careta de tédio, não levou a sério, tinha poucas chances de herdar a coroa. Perguntava-se por que teria uma esposa. A mulher pegaria no seu pé e encheria sua rotina de crianças bagunceiras.

Ao passar por um brejo, escolheu uma rã saltitante. Considerou divertido fazer aquilo com o pai. Teve trabalho para capturá-la. Sujo como estava, apresentou-a ao pai e irmãos. Ia gargalhar, mas não teve tempo. O pai o surpreendeu declarando os três casados. O caçula quis fugir, mas já era tarde. Foi gozado pelos demais. De noite disse para rã que a brincadeira fora um desastre. Ela podia ir. Para sua surpresa, a rã se deitou na cama e disse "boa noite,  marido."

Dias depois o rei convocou as três noras. Deviam costurar-lhe um traje digno e entregá-lo pela manhã. Disse que um dia deveres de uma rainha era costurar para a família. As outras noras consideravam a rã desprezível. Sempre a ofendiam. A rã, com seu temperamento genioso, resolveu dar o troco. Procurou o esposo que a evitava, nem sequer a cumprimentava. Através de um feitiço criou um belíssimo manto e foi dormir. O príncipe só o viu de manhã cedo. De manhã viu e desconfiou que a sapa o havia roubado. Ela protestou. Era uma rã, ele era um inútil que havia raptado. Com dignidade manteve-se calma e não ia gastar saliva conversando com alguém tão limitado. Negou que havia roubado e pediu que ele levasse o presente ao pai. Quando lá chegou, Oi irmão mais velho entregava uma Viçosa camisa, porém seu manto era melhor. Já o irmão do meio levava uma túnica feita pela esposa. O pai ficou boca aberto como todos quando viu o manto. Agora era o Caçula quem caçoava os outros. Pediu inclusive ao irmão para respeitá-la como sua esposa e uma rã. A esposa pela primeira vez viu que ele é defendia. Os outros irmãos a criticavam. Quase houve um tumulto nesse momento. O rei achou melhor calar o filho. Veio a próxima tarefa. Uma rainha precisava ser prendada. As noras tiveram que preparar o melhor pão que pudessem. De manhã o rei escolheria.

Criadas das mulheres deveriam espiar a rã. Ela as despistou indo até o brejo e se confundindo com outras rãs. Ela voltou ao castelo e fez um novo feitiço. Surgiram vários pães em uma cesta. O príncipe não foi beber com os amigos e perguntou-lhe que queria ajuda. Comeu um dos pães com muito prazer. Perguntou a esposa quem havia feito aquilo. Quase o transformou em um sapo. Perguntou-lhe porque estava sendo tão competitiva com os outros. Ela respondeu com outra pergunta: Por que não seria? Ele foi dormir e a deixou intrigada.

Na manhã seguinte chegaram atrasados. O rei já havia provado os pães feitos pelas outras noras. O Caçula até duvidou da qualidade dos pães da esposa que os havia feito na véspera. Competiriam com os outros tão cheios de ingredientes? Sim. O rei novamente deu a vitória à rã.  Adorou ver pães simples e tão gostosos.

Agora o desafio era um baile. Uma rainha devia ser prendada, graciosa em seus gestos e movimentos, submissa a seu marido. O caçula ia sair, mas desta vez esperou a esposa. Até mesmo o rei abafava sua risada. A paciência dela se esgotou neste momento. Ia ensinar a família do rapaz,  mas foi aí que o esposo a surpreendeu. Ele foi solidário, pegou com cuidado e colocou-a em seu ombro esquerdo. Disse-lhe: vamos esposa. Pode apostar que amanhã nós seremos o casal mais gracioso deste Reino.

Os preparativos viraram o castelo ao avesso. Seus irmãos pegaram trajes elegantes e joias caras, praticaram a exaustão os passos da dança. O irmão do meio recomendou a sua esposa que fosse obediente e jamais os questionasse. O mais velho disse a sua que ele pensaria pelos dois.

O Caçula acordou antes de sua esposa e lhe convidou a passar o dia com ele. Passeariam a cavalo depois almoçariam ao ar livre e de tarde assistiriam a um torneio de arco e flecha. Fariam as coisas do jeito dele.

Foi um dia muito alegre, pois o príncipe sabia conversar com pessoas pobres. Elas receberam bem o casal e não fizeram desfeita.

Retornando ao Castelo, a rã vestiria roupas de uma boneca que pertencia a irmã do príncipe. Ela morrera dois anos antes. Pela primeira vez ela ouviu triste. Ela poderia escolher até seis vestidos. A rã quis saber mais. Essa irmã criou o príncipe depois da morte de sua mãe. Ela era mais nova que seus irmãos. A rã estranhou as roupas do príncipe que eram muito simples. Ele disse que era daquele jeito e não passaria sua vida atendendo às expectativas dos outros.

Confessou que sua irmã se casou contra sua vontade, mas não era prendada nem graciosa. Ela foi desistindo da vida. Antes de morrer, pediu que o irmão não fizesse aquilo com sua filha, mas ele não pretendia ter filhos.

 

Começou o baile e o irmão mais novo dançou com perfeição com sua esposa. O irmão do meio e sua esposa foram ainda melhores. Ela foi ainda mais submissa. Agora era a vez do casal. Separados um do outro e sem harmonia, mas estranhamente combinando um com o outro em sua esquisitice e ousadia. Ninguém os aplaudiu. O rei declarou que um verdadeiro soberano precisa demonstrar coragem e estilo próprio sem medo de desagradar. Contra a vontade do príncipe, o rei o declarou o vencedor. Seus irmãos ficaram furiosos e suas esposas desmaiaram, mas não foram socorridas pelos maridos. Todos foram cumprimentá-lo e quase pisaram na rã. Ela ouviu o comentário de dois homens que perguntavam quem levaria a sério um rei com aquela esposa. Era verdade. Ela precisava continuar fugindo do feiticeiro e por isso não poderia voltar a ser quem era. Ela fugiu.

O príncipe a procurou por todos os lados e abandonou o baile, que não lhe  interessava. Voltou ao brejo. Puxou conversa com uma outra rã que nada lhe respondeu. Encontrou-a. Ela perguntou o que ele queria com uma simples rã. Ele retrucou que ela o ajudou para dar troco aos irmãos. Ela protestou que ele não a conhecia, mas só aí descobriu que ele nunca quis ser rei para não ser igual a seu pai. Ele se desculpou pelo rapto e ela admitiu que fez tudo só para dar o troco, não para ajudá-lo. Os dois riram. Ele ia recusar a função real e faria uma longa viagem. Ele a convidou para ir junto. Neste momento O feiticeiro aparece e interrompe a conversa. As suas mágicas a revelaram. O jovem ia usar sua espada, mas foi desarmado. Ia continuar lutando, mas o feiticeiro o arremessou contra uma árvore. O feiticeiro continuou lutando contra a fada e a fez voltar a ser o que era. Ia destruí-la quando uma pedra mandada pelo príncipe o atingiu. Foi a vez dele voltar a atacar o príncipe. Então a fada o transformou em um mosquito. O príncipe poderia pisar nele, porém estava muito fraco. O feiticeiro ia se transformar num dragão, mas foi devorado por outra sapa. Ele havia levado a magia da fada. Ela estava sem asas. Não poderia mais fazer mágicas. O príncipe perguntou por que não poderia existir uma fada sem asas. Combinou com ela que viveriam sem mágicas e na simplicidade. Voltaria ao Castelo, enfrentaria um rei e seus irmãos e cairiam na estrada livres para descobrir se, depois das inevitáveis brigas, ainda haveria amor para viverem a dois.

Comentários

Postagens mais visitadas